Insights

O que muda com o Novo Marco Legal das Startups? As médias e grandes empresas devem investir neste segmento?

No último dia 24 de fevereiro, o Senado aprovou o Marco Legal das Startups, colocado em votação através do Projeto de Lei Complementar 146/19. No final do ano passado, o projeto já havia passado pelo crivo da Câmara dos Deputados.

Como o Senado promoveu algumas alterações no texto do documento aprovado, o Projeto retornou à Câmara dos Deputados e somente após revisão é enviado para sanção presidencial.

O que representa o Novo Marco Legal das Startups?

O Novo Marco define o conjunto de regras para o funcionamento do setor. O texto fixa, por exemplo, diretrizes para o aporte de capitais, dentre outras medidas importantes.

Com o Novo Marco Legal podem ser consideradas startups seguintes pessoas jurídicas:

  • Empresário individual;
  • Empresa individual de responsabilidade limitada;
  • Sociedades empresárias e;
  • Sociedades simples.

No entanto, independente do modelo de constituição empresarial, devem ser observados alguns itens. Com base no marco legal, podem ser consideradas startups as empresas que:

Auferiram receita bruta limite de até R$ 16 milhões no ano anterior ou, no caso de empresa com menos de um ano, receita de R$ 1,3 milhão multiplicado pelo número de meses de atividade no ano anterior;

Possuam até dez anos de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil do Ministério da Economia;

Apresentem modelo de negócio inovador para a geração de produtos ou de serviços ou que estejam enquadradas no regime especial Inova Simples, programa de estímulo a startups.

No entanto, o que realmente chamou a atenção e agradou ao setor, foi a aprovação para que startups possam participar de licitações, além da definição de diretrizes claras para o recebimento de investimentos originários de pessoas físicas e também por parte de pessoas jurídicas.

Com a aprovação deste importante Projeto de Lei Complementar, espera-se um estímulo cada vez maior para que médias e grandes empresas possam investir recursos em startups promissoras, estimulando o desenvolvimento tecnológico e da economia.

Crescimento do número de empresas que investem em Startups

Segundo dados da pesquisa, realizada pela BR Angels, uma associação nacional voltada para investimento anjo, 2020 registrou um intenso movimento de fusões e aquisições envolvendo fintechs e startups.

A pesquisa foi conduzida com 104 CEOs, 74 deles associados à BR Angels, que lideram grandes empresas em diversos segmentos, como varejo, bens de consumo, tecnologia, financeiro, educação e serviços.

De acordo com os dados coletados pela pesquisa, foi possível concluir que 46% das grandes companhias realizaram investimentos em startups durante o ano de 2020, sendo que:

  • 58% entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões.
  • 17% investiram mais de R$ 50 milhões;
  • 14% entre R$ 5 milhões e R$ 15 milhões;
  • 8% entre R$ 15 milhões e R$ 30 milhões;
  • 3% entre R$ 30 milhões e R$ 50 milhões.

A pesquisa mapeou 75 investimentos e identificou que  6 foram em fintechs, 11 em empresas de tecnologia da informação e 8 em empresas de SaaS(software as a service).

Por sua vez, os principais motivos para investir em empresas inovadoras foram os seguintes:

  • Aceleração da transformação digital;
  • Incorporação de tecnologia;
  • Ganho de competitividade.

O estudo em questão também identificou que o número de empresas interessadas em realizar aportes em startups deve continuar crescendo em 2021.

Vale destacar, que segundo um outro estudo, desta vez elaborado pela Distrito, que reúne em seu portfólio empresas de inovação e tecnologia, as startups brasileiras arrecadaram cerca de US$ 3,5 bilhões de dólares em investimentos.

Na atual cotação do dólar, o valor captado representa aproximadamente R$ 20 bilhões de reais.

Ressalta-se ainda, que a quantia representa um crescimento de 17% em relação a 2019, quando as startups nacionais captaram US$ 2,9 bilhões em investimentos.

O número de fusões e aquisições envolvendo startups também cresceu, foram 163 fusões e aquisições em 2020 ante 64 em 2019, um crescimento de 154%.

Por que médias e grandes empresas devem investir em startups?

Com o crescimento das startups e a aprovação do Novo Marco Legal das Startups, cresce o número de empresas interessadas em investir no segmento.

Mas, afinal quais são as principais razões para médias e grandes empresas investirem em startups?

Na sequência, separamos algumas características presentes nas startups que chamam a atenção e podem se transformar em resultados significativos no futuro.

  • Modelo de negócios repetível e escalável: Startups possuem um modelo de negócios repetível e escalável, sendo capazes de entregar soluções em larga escala e expandir as suas operações rapidamente.
  • Grande potencial de lucro e retorno acima da média: Os custos operacionais das startups não crescem na mesma proporção dos lucros, sendo esse um dos motivos para que esse modelo de negócio apresente ganhos acima da média.
  • Possibilidade de se tornar parte de uma empresa de sucesso: Ao investir em uma startup médias e grandes empresas compram uma parte dos seus negócios, tornando-se sócias delas.
  • Diversificação do portfólio de investimentos: As startups surgem como uma excelente opção para diversificação da carteira de investimentos das empresas e também dos seus sócios, sobretudo em razão da sua rentabilidade acima da média.
  • Startups costumam ser resilientes em períodos de crise: Empresas de tecnologia costumam ser resistentes em períodos de crise, encontrando soluções criativas para diferentes segmentos.
  • Baixo endividamento, baixo custo e alta performance: Em geral as startups possuem características atrativas para a grande maioria das empresas e investidores, como baixo endividamento, baixo custo e alta performance.
  • Promovem o impacto social e resolvem problemas urgentes: Por fim, vale destacar, que as startups são conhecidas por apresentar soluções que impactam a sociedade e solucionam problemas sociais urgentes.

Por fim, podemos concluir que o investimento em startups por parte das médias e grandes empresas demonstra-se uma excelente oportunidade de negócio.

Empresas que investem em startups não somente promovem o desenvolvimento de novas ideias e deixam a sua contribuição para a sociedade, como também podem obter retorno significativo em razão dos seus investimentos neste tipo de negócio.