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Panorama do Mercado Brasileiro de E-Commerce

O mercado brasileiro de e-commerce cresceu vertiginosamente em 2020. E a tendência para 2021 é manter o crescimento e aumentar os investimentos.

Ademais, o ânimo é tão grande que as ações de empresas do setor tiveram expressivos ganhos. Além de 2020 ter sido o ano com diversos IPOs de e-commerces chegando a captar bilhões de reais.

Continue lendo para entender o panorama atual e as tendências do comércio eletrônico no Brasil!

Estado atual do mercado de e-commerce no Brasil

A pandemia impulsionou o crescimento do e-commerce de uma forma impressionante. Para termos noção, em maio de 2021 somaram-se 59% de usuários ativos na internet. Detalhe, essa porcentagem é em relação a população mundial, o que representa cerca de 4,59 bilhões de pessoas conectadas.

Como afirma a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm): “o isolamento social levou o comércio eletrônico a se tornar o único caminho possível entre grande parte de lojistas e clientes”. Não é à toa que houve aumento de 47% das vendas somente em abril.

Em um dado da Boa Vista, 29% dos consumidores passaram a comprar mais pela internet. Segundo a Ebit | Nielsen, no primeiro semestre de 2020 foram mais de 38% de novos clientes, atingindo a marca de 41 milhões.

Aliás, se falarmos sobre o mundo, o aumento das vendas foi de 209% segundo a ACI Worldwide. Outro aumento expressivo foi o setor de brinquedos e jogos, que vislumbraram crescimento de 434% no e-commerce.

De acordo com os dados levantados pela ABComm e Compre&Confie, o faturamento no e-commerce atingiu a marca de R$ 41,92 bilhões em agosto de 2020.

O marketplace também é onde vemos grande parte das vendas online acontecendo. Segundo a Ebit, os marketplaces são responsáveis por 78% do faturamento total do e-commerce — o que representou no 1º semestre de 2020 R$ 30 bilhões e 64 milhões de pedidos.

Todo esse crescimento incrível é, segundo o diretor executivo do Movimento Compre&Confie, André Dias, o reflexo da mudança de comportamento do consumidor que começou a comprar mais online e gostou da experiência. Além disso, André acredita que os clientes deverão ficar mais engajados nas compras onlines principalmente nas categorias de necessidades básicas.

Nessa pesquisa da ABComm e Compre&Confie foi observado um grande crescimento nas categorias de:

 

  • Beleza e perfumaria: R$ 2,11 bilhões (+107,4%);
  • Móveis: R$ 2,51 bilhões (+94,4%);
  • Eletroportáteis: R$ 1,02 bilhão (+85,7%);
  • Eletrônicos: R$ 3,93 bilhões (+68,4%);
  • Esporte e Lazer: R$ 1,57 bilhão (+66,8%);
  • Telefonia: R$ 7 bilhões (+55,2%);
  • Eletrodomésticos: R$ 4,21 bilhões (+51%);
  • Informática: R$ 4,20 bilhões (+46,7%);
  • Moda e acessórios: R$ 4,1 bilhões (+34,9%);
  • Ar e ventilação: R$ 1,22 bilhões (+17,2%).

Ademais, vemos que cada vez mais o consumidor brasileiro está se acostumando com as compras virtuais. Em uma pesquisa da eNext, entre 25% e 35% dos clientes da empresa nunca haviam comprado pela internet e começaram em 2020. Aliás, após boas experiências, esses consumidores não devem abandonar esse novo comportamento.

Entretanto, o ritmo de crescimento acelerado não é sem dificuldades: ainda há muita deficiência logística, falta de mão de obra qualificada e economia cambaleante.

Como revela o relatório da Ebit, no 2 semestre de 2020 mais de 15% dos pedidos foram entregues fora do prazo. Isso acontece tanto pelas ineficiências no sistema logístico das lojas virtuais quanto pelo fato que a pandemia dificultou o funcionamento das transportadoras, que também precisaram se adequar às medidas de isolamento.

Os 3 grandes players do e-commerce brasileiro

Para realmente entendermos o quadro atual do comércio eletrônico, é importante conhecermos quem são os grandes players.

  1. B2W Digital

Essa gigante do mercado digital é resultado da fusão de 3 empresas que já são bem conhecidas no e-commerce: Submarino, Shoptime e Americanas.com.

Apesar de vender produtos próprios, o grande foco do grupo é o marketplace, que em 2017 faturou mais de R$ 8,7 bilhões.

  1. Via Varejo

A Via Varejo é o conglomerado controlador das marcas Casas Bahia, Extra, Pontofrio e Bartira. Somando todas as lojas físicas, são mais de 1000 estabelecimentos pelo país.

No terceiro trimestre de 2020 o grupo registrou receita líquida de R$ 7,8 bilhões. Isso representou um avanço de 37,3% em comparação a 2019, impulsionado pelos investimentos no e-commerce e marketplace de suas marcas.

  1. Magazine Luiza

Hoje a Magazine Luiza vem dominando o mercado de comércio eletrônico. Ela investiu com peso no marketplace e seu sucesso fez com suas ações, que em 2018 estavam em R$ 2,50, para mais de 25,30 na cotação de 05/02/2021!

A Magalu viu suas vendas digitais em 2020 saltarem 148%. O que permitiu à empresa faturar mais de R$ 8,2 bilhões. Aliás, o e-commerce da Magazine é responsável por dois terços das vendas da empresa.

Vemos que as principais empresas do e-commerce brasileiro são, como a Ebit define, Bricks & Clicks. Isto é, as tradicionais lojas físicas que investiram na loja virtual.

Ademais, esse modelo físico-digital tem grandes vantagens. Por exemplo, a Magazine Luiza e sua presença nacional podem utilizar as lojas físicas como centros de distribuição, garantindo menores custos de logística e melhores prazos de entrega — dois dos fatores fundamentais para o sucesso de um e-commerce.

Tendências do comércio virtual para 2021

Será que o crescimento vertiginoso, impulsionado pela pandemia, irá continuar em 2021? O que será que esse novo ano guarda para o mercado?

  1. Força do omnichannel

Impulsionado pelas grandes varejistas, o omnichannel tende a apenas crescer em 2021. Esse modelo significa na prática ter múltiplos canais de vendas.

Ou seja, ter apenas um site com loja virtual não é suficiente. Assim, as empresas estão focando em atingir seus clientes onde quer que estejam, seja no Instagram, Whatsapp, no site ou loja física.

Também é característica do omnichannel a possibilidade do usuário ver o produto na internet e depois ir na loja conhecer pessoalmente para comprar — e vice-versa. Aliás, as grandes varejistas já atuam dessa forma. Por exemplo, a Magazine Luiza até cobre o valor da loja virtual, caso você vá à loja física e esteja mais caro.

  1. Foco no consumidor

Qualquer negócio que queira crescer e ser sustentável precisa ter o cliente como foco. E isso deve crescer em 2021 com ajuda de big data, inteligência artificial e muita análise de dados.

No relatório da Hibrido sobre o e-commerce em 2020, o foco das lojas virtuais deve estar na experiência do consumidor, sendo a direção certa a seguir.

Não só essas tecnologias, mas pesquisas de NPS e entrevistas diretas também serão bastante usadas. Com o uso dessas ferramentas é possível entender melhor o usuário e aprimorar sua experiência com base nos dados.

  1. Pagamento virtual com retirada física

Já era comum existir essa opção do cliente comprar na loja online e retirar na loja física. Muitos clientes optam por esse método por ter um entrega rápida e não ter que pagar nenhum extra.

Ademais, com os problemas logísticos existentes e sem previsão da privatização dos Correios, 2021 iremos ver cada vez mais o uso da retirada física. Afinal, porque pagar a mais e esperar dias ou semanas, se sem custo adicional você pode ir buscar no mesmo dia?

  1. Voice shopping

As pessoas já estão acostumadas com assistentes virtuais como a Siri no iPhone e o Google Assistant nos Android. Contudo, os aparelhos Google Home, Alexa e Amazon Echo estão caindo no gosto dos consumidores.

Nos EUA o uso desses aparelhos para compras online já é mais comum. Entretanto, no Brasil essa tendência é muito nova e com muito espaço para crescer.

Afinal, é atraente o conforto e comodidade de poder comprar qualquer coisa na internet apenas dizendo “Hey Alexa, comprar jogo de copos”. Por isso, as vendas mundiais desses dispositivos devem chegar a US $40 bilhões em 2022, segundo o diretor geral da Zoho no Brasil, Rodrigo Vaca.

  1. Chatbots e IA

O uso de chatbots e inteligência artificial são duas tecnologias que mais serão implementadas em 2021. Isso porque elas permitem resolver maior parte das dúvidas e problemas dos clientes, com menor custo de manutenção, pessoal e tempo. Além de que os consumidores não querem ficar ligando ou aguardando ser atendido por e-mail.

Gabriel Lima, sócio da eNext, afirma que “apesar da baixa correlação vista até agora neste mercado, a manutenção de crescimentos consistentes por longos períodos também depende de fatores macroeconômicos”.

Gabriel diz isso sob o receio do rumo que a economia está tomando. Afinal, o descontrole fiscal e desemprego aumentando posam grandes desafios para o e-commerce no longo prazo.

Cases de IPO de e-commerce na B3

2020 foi um ano com diversas novas integrantes na bolsa de valores brasileiras. Dentre elas estão as empresas de e-commerce Méliuz (CASH3) e Enjoei (ENJU3).

A Méliuz é uma empresa que gera cupons e cashback para compras em lojas virtuais. Em seu IPO em novembro, a empresa conseguiu captar mais de R$ 661 milhões, mesmo tendo entrado com uma receita considerada baixa: apenas R$ 62 milhões no primeiro trimestre de 2020.

Ainda assim, conseguiu levantar bastante capital e ainda acumular crescimento nas ações de 90% em 2 meses. No mesmo período, a bolsa subiu apenas 21%, colocando a Méliuz como um dos melhores IPOs da B3 de 2020.

Segundo Pedro Fagundes, analista de ações da XP Private, a justificativa para isso é que o modelo de negócio dela gera muito caixa. Isso porque mesmo com R$ 100 milhões de faturamento ao ano já conseguia atingir o equilíbrio com seu Ebitda. Além disso, o mercado endereçável de e-commerce é enorme e seus 2% de market share apresentando um grande potencial de crescimento, o que sustentou o otimismo com a Méliuz.

E por esse otimismo que as ações de CASH3 saíram de R$ 9,35 em novembro para mais de R$ 35,00 em fevereiro de 2021.

Outro caso interessante de 2020 foi o IPO da Enjoei (ENJU3) que levantou R$ 1,13 bilhão. Desse valor, R$ 618,84 milhões foram direto para o caixa da empresa, enquanto o restante foi para os acionistas vendedores.

A empresa tem como modelo de negócio a intermediação de vendas online em sua plataforma. Além da intermediação, há outros serviços como prevenção a fraudes, coparticipação no frete, envio protegido e carteira digital.

A receita líquida da Enjoei teve um crescimento interessante, saindo de R$ 33,5 milhões em 2017 para R$ 53,6 milhões em 2019.

Após seu IPO que teve preço fixado em R$ 10,25 em novembro 2020, a ação já atinge o patamar acima de R$ 20,00 em fevereiro de 2021.

Como sua empresa pode fazer um IPO?

1.Análise de conveniência: A análise de conveniência é o primeiro passo a ser dado por uma empresa que pretenda abrir o seu capital. Nesta etapa diversos aspectos precisam ser levados em consideração para determinar se a empresa está preparada para a abertura de capital e se as vantagens do IPO irão superar os custos do processo.

Esse tipo de análise pode ser feito internamente, no entanto, para que seja mais assertiva, torna-se interessante a contratação de uma consultoria externa com experiência em processo de abertura de capital na Bolsa de Valores.

Vale destacar, que uma empresa de capital aberto, precisa está alinhada quanto aos seus processos internos, além de ser muito transparente e organizada com seus balanços e demonstrativos financeiro-contábeis, além de possuir a capacidade de registrar, gerir e gerar informações que agreguem valor aos resultados e apresentem informações fidedignas ao investidor e ao mercado como um todo.

2.Análise da atratividade da empresa no setor: Logo após a análise de conveniência, é preciso analisar a atratividade da empresa perante o mercado e os potenciais investidores.

  • Nessa fase, é preciso responder perguntas como:
  • A empresa possui boas perspectivas e projetos para o futuro?
  • Qual a maturidade da empresa e a sua sensibilidade em relação às oscilações do mercado?
  • A empresa possui uma situação financeira sólida e balanços equilibrados?
  • Qual é o posicionamento de mercado da empresa em relação aos concorrentes do mesmo setor/segmento?
  • Qual o perfil de endividamento da empresa?

Certamente, os potenciais investidores em um IPO, estarão em busca de resposta para as perguntas acima listadas e muitas outras, com um simples objetivo: concluir se a empresa em questão apresenta-se como um bom investimento, sendo capaz de gerar bons retornos ou não.

Tão logo, para entrar em um IPO, é importante ter a convicção do potencial da empresa em atrair investidores e se vender para o mercado.

3.Avaliação da empresa e do seu valor provável no IPO: Com respostas positivas das fases de análise de conveniência e atratividade é hora de finalmente determinar entre outros fatores os seguintes:

  • valor de mercado da empresa;
  • O valor inicial das ações;
  • número de ações a se colocar no mercado;
  • percentual da participação sobre os negócios da empresa que será colocado à disposição do mercado.

4.Preparação final da empresa para o IPO: Após todas as análises e avaliações acima listadas, finalmente chegamos a etapa final de preparação para o processo de IPO, onde entre outros são definidos os seguintes pontos:

  • Adequação dos sistemas e controles da empresa;
  • Escolha e contratação da auditoria externa;
  • Escolha e contratação do banco de investimentos;
  • Escolha e contratação da consultoria jurídica;
  • Desenvolvimento da área de relação com investidores;
  • Definição de estratégias especializadas de marketing para divulgação do IPO;
  • Definição da política de distribuição de dividendos;
  • Preparação do prospecto.

Sua empresa está preparada para experimentar um crescimento fora da curva?

O número de empresas entrando para a Bolsa de Valores tem crescido substancialmente desde o último ano e esse fenômeno tem uma explicação:

As possibilidades de expansão dos negócios, visibilidade e captação de recursos proporcionadas pela abertura de capital.

Prepare a sua empresa para abrir capital na Bolsa de Valores, capitalize a sua empresa e promova o seu crescimento acima da média do mercado.