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Panorama do setor supermercadista no Brasil

Um mercado que mesmo em uma pandemia que colocou todo mundo preso em casa ainda cresceu mais de 20% e representam 5,2% do PIB brasileiro apresenta um solo fértil para oportunidades. E esse mercado é o setor supermercadista no Brasil.

Continue lendo para entender qual é o estado atual do setor, as principais tendências e como tudo isso levou o Grupo Mateus, supermercadista do Norte, a levantar mais de R$ 4,63 bilhões em sua oferta inicial de ações na Bolsa de Valores em 2020.

Estado atual do setor de supermercados

Com faturamento de R$ 378,3 bilhões em 2019, o setor supermercadista representa 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Esses são dados da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) junto com a Nielsen, mostrando a força desse setor.

Aliás, em um levantamento feito pela SBVC das maiores empresas de varejo em 2019, o setor supermercadista marcou presença no ranking: os supermercados ocuparam 137 posições, ocupando 3 lugares no top 10.

Na mesma pesquisa, das 138 empresas com mais de R$ 1 bilhão de faturamento, 61 eram supermercadistas. O setor está tão aquecido que 70% das empresas que abriram lojas em 2019 eram supermercados.

Ademais, o setor de atacarejo também demonstrou sua resiliência no tempo de crise. Segundo um levantamento da Nielsen, no primeiro trimestre de 2020 o setor cresceu 21,3% sendo o maior crescimento no mercado varejista.

Nesse sentido, o Assaí, bandeira de atacarejo do Grupo Pão de Açúcar, foi uma das redes que mais se beneficiaram. Enquanto as demais empresas demitiram ou reduziram salários por causa da pandemia, o Assaí contratou cerca de 3 mil temporários.

Resultado que as vendas do 1T2020 da rede fecharam com crescimento de 24%. O crescimento representa mais de 8,5 milhões de novos clientes. “Como a nossa proposta é preço baixo, o atacarejo é resistente e mais fácil de se ajustar em cenários de austeridade”, comenta Belmiro Gomes, presidente executivo do Assaí.

Setor supermercadista mostra resiliência em períodos de crise

Ainda tomando como fonte a pesquisa da Nielsen, o 1T2020 apontou crescimento de 11,2% para os hipermercados, 10,8% para supermercados, 11,7% para lojas de vizinhanças e apenas 6,9% de crescimento para o segmento de farmácias.

O isolamento social causou diversas mudanças no comportamento das pessoas. Uma pesquisa realizada pela Nielsen sobre os hábitos dos consumidores, mostra que 17,1% pretendem frequentar menos bares e restaurantes.

Enquanto isso, o Instituto Food Service Brasil (IFB) aponta que o consumo de comidas preparadas fora de casa em 2020 caíram de R$ 215 bilhões para R$ 137 bilhões, um tombo de 36,2%. Ou seja, a tendência de reduzir a ida a bares e restaurantes e o maior consumo de comida preparada em casa são cenários ideais para o setor supermercadista que tende a se beneficiar.

Apesar da resiliência, 2021 apresenta grandes desafios ao setor

O fim do auxílio emergencial e a inflação posam como grande desafio. O sócio-diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres, questiona se o setor será capaz de repassar a alta de preços que deve continuar em 2021.

Afinal, em 2020 diversos preços subiram. Em especial do grão de milho, que ocasionou alta no preço da proteína animal. Porém o auxílio emergencial ajudou as famílias a continuar comprando, agora sem ele fica a dúvida de como o setor será afetado.

Aliado a isso, a perspectiva de emprego também não é das melhores para 2021. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) avançou para 102,6 pontos, o maior nível desde 2017. “A piora pelo segundo mês consecutivo do ICD sugere aumento na taxa de desemprego nos últimos meses de 2020”, explica o economista Rodolpho Tobler. Dessa forma, as baixas perspectivas de melhora significativa de emprego no curto prazo poderá machucar os supermercados.

Mas a esperança está no varejo alimentar que em 2020 aumentou as contratações. Assim, a expectativa é que a ação se repita em 2021. A pesquisa Tendências 2021 feita pela Abras aponta que 47,6% dos entrevistados acreditam que irão aumentar seu investimento no varejo alimentar, 68,3% apostam na ampliação de serviços e 31,7% esperam lucro líquido maior.

Tendências para 2021 e as mudanças do comportamento do consumidor

Foco no omnichannel

Sem dúvida o comércio eletrônico é a grande tendência de consumo para o futuro, não só em 2021. Assim, a combinação de loja física com o digital será a grande aposta. Nesse sentido, a Abras aponta que 59,6% de seus associados irão investir nas vendas pelo e-commerce.

Outros 48,1% vão buscar nesse ano explorar o uso de entregas por aplicativos. Essa modalidade ajuda a impulsionar as vendas, já que a pesquisa da Nielsen sobre a mudança de comportamento aponta que 33,4% dos consumidores querem ir menos ao PDV.

Ademais, a projeção global realizada pela Statista aponta que até 2025 cerca de 20% do consumo no supermercado se dará no e-commerce. Logo, as empresas devem acompanhar essa tendência e adaptar-se o quanto antes.

Tecnologia

Segundo a Abras, conhecer de forma mais ampla o shopper é uma das 5 grandes prioridades do setor para 2021. Para tanto, sistemas de dados e análise são fundamentais.

Ademais, 35,6% dos supermercadistas apostam que irão investir em sistemas de gestão. Outros 30,8% devem investir em novos meios de pagamento.

O uso de big data também tende a crescer no mercado brasileiro. Com a implementação da análise de dados os negócios podem entender melhor os hábitos dos clientes e até criar layouts de loja que trazem melhores resultados.

Experiência de compra

A experiência do cliente, ou como o setor de tecnologia chama “User Experience”, também é tendência para o supermercado. Afinal, as pessoas estão cada vez mais exigentes e ter uma boa experiência de compra é fundamental.

Assim, 2021 pode ser o ano de ações, como o marketing sensorial. Essa estratégia se baseia no uso de música interna personalizada com seu público-alvo, iluminação especial nos corredores, degustações, entre outras estratégias que visam aguçar os sentidos dos clientes e despertar o desejo.

O treinamento de funcionários para ter o melhor atendimento também terá bastante investimento.

Alimentação saudável

A preocupação com o que nos alimentamos e o nosso impacto no meio ambiente poderá modificar o catálogo de produtos que os supermercados irão buscar para preencher suas prateleiras.

Segundo o Ministério da Saúde, a pandemia levou 40% dos brasileiros a alterarem seus hábitos de alimentação. E esse já é um mercado que movimenta US $35 bilhões por ano aqui no Brasil, e somos o 4º país que mais consome alimentos saudáveis.

Não à toa que a última edição da revista SuperHiper da Abras aponta que 29,8% dos supermercados devem investir em produtos saudáveis em 2021.

Aplicativos proprietários

Na pesquisa da Abras sobre as tendências, 45,2% dos entrevistados irão aplicar os aplicativos de desconto para fidelização. Os cartões próprios, que normalmente são controlados pelo mesmo aplicativo, também é a aposta de 60,6%.

Esses aplicativos ajudam na fidelização e aumento das vendas, uma vez que podem integrar no mesmo lugar o e-commerce, ofertas exclusivas e ofertas de crédito próprias.

Grupo Mateus: Um dos maiores IPOs da B3 em 2020

Com um cenário atual extremamente favorável, foi esperado que o Grupo Mateus fizesse um IPO do tamanho que foi.

O Grupo Mateus é um conglomerado atuante no norte e nordeste. Atuam no varejo supermercadista, atacarejo, atacado, eletrodomésticos, móveis, panificação, central de fatiamento e porcionamento. São uma gigante de 34 anos de história e atende 20 mil pontos de vendas.

Criada por Ilson Mateus, um ex-garimpeiro da Serra Pelada (PA), atualmente emprega 20 mil pessoas. Além disso, entre os atacarejos do Brasil, fica atrás apenas do Assaí, Atacadão (Carrefour) e Censosud (grupo chileno).

Porém não foi um IPO sem seus obstáculos. Na primeira semana de outubro de 2020 um acidente no Mix Atacarejo, uma de suas marcas, em São Luís (MA), ocasionou a queda de gôndolas ferindo clientes e causando a morte de uma funcionária.

Logo na segunda-feira, dia 5, o grupo reapresentou o prospecto de sua oferta inicial de ações. No documento descreveram que o acidente “ocasionou efeito adverso sobre nossos negócios e imagem, podendo ainda ocasionar futuramente efeito adverso relevante adicional”. E com isso abriu prazo de desistência até 9 de outubro que haviam feito o pedido de reserva.

Apesar disso, a demanda foi robusta, chegando a bater cinco vezes o volume ofertado. Por isso, além do lote principal, a empresa teve que colocar no mercado 75% do lote adicional.

O IPO do Grupo Mateus (GMAT3) captou R$ 4,63 bilhões, ganhando o título de maior oferta inicial de ações da bolsa em 2020. Os recursos serão utilizados integralmente nos planos de expansão orgânica da companhia.

Como sua empresa pode fazer um IPO?

1.Análise de conveniência: A análise de conveniência é o primeiro passo a ser dado por uma empresa que pretenda abrir o seu capital. Nesta etapa diversos aspectos precisam ser levados em consideração para determinar se a empresa está preparada para a abertura de capital e se as vantagens do IPO irão superar os custos do processo.

Esse tipo de análise pode ser feito internamente, no entanto, para que seja mais assertiva, torna-se interessante a contratação de uma consultoria externa com experiência em processo de abertura de capital na Bolsa de Valores.

Vale destacar, que uma empresa de capital aberto, precisa está alinhada quanto aos seus processos internos, além de ser muito transparente e organizada com seus balanços e demonstrativos financeiro-contábeis, além de possuir a capacidade de registrar, gerir e gerar informações que agreguem valor aos resultados e apresentem informações fidedignas ao investidor e ao mercado como um todo.

 

2.Análise da atratividade da empresa no setor: Logo após a análise de conveniência, é preciso analisar a atratividade da empresa perante o mercado e os potenciais investidores.

  • Nessa fase, é preciso responder perguntas como:
  • A empresa possui boas perspectivas e projetos para o futuro?
  • Qual a maturidade da empresa e a sua sensibilidade em relação às oscilações do mercado?
  • A empresa possui uma situação financeira sólida e balanços equilibrados?
  • Qual é o posicionamento de mercado da empresa em relação aos concorrentes do mesmo setor/segmento?
  • Qual o perfil de endividamento da empresa?

Certamente,  os potenciais investidores em um IPO, estarão em busca de resposta para as perguntas acima listadas e muitas outras, com um simples objetivo: concluir se a empresa em questão apresenta-se como um bom investimento, sendo capaz de gerar bons retornos ou não.

Tão logo, para entrar em um IPO, é importante ter a convicção do potencial da empresa em atrair investidores e se vender para o mercado.

3.Avaliação da empresa e do seu valor provável no IPO: Com respostas positivas das fases de análise de conveniência e atratividade é hora de finalmente determinar entre outros fatores os seguintes:

  • valor de mercado da empresa;
  • O valor inicial das ações;
  • número de ações a se colocar no mercado;
  • percentual da participação sobre os negócios da empresa que será colocado à disposição do mercado.

4.Preparação final da empresa para o IPO: Após todas as análises e avaliações acima listadas, finalmente chegamos a etapa final de preparação para o processo de IPO, onde entre outros são definidos os seguintes pontos:

  • Adequação dos sistemas e controles da empresa;
  • Escolha e contratação da auditoria externa;
  • Escolha e contratação do banco de investimentos;
  • Escolha e contratação da consultoria jurídica;
  • Desenvolvimento da área de relação com investidores;
  • Definição de estratégias especializadas de marketing para divulgação do IPO;
  • Definição da política de distribuição de dividendos;
  • Preparação do prospecto.

Sua empresa está preparada para experimentar um crescimento fora da curva?

O número de empresas entrando para a Bolsa de Valores tem crescido substancialmente desde o último ano e esse fenômeno tem uma explicação:

As possibilidades de expansão dos negócios, visibilidade e captação de recursos proporcionadas pela abertura de capital.

Prepare a sua empresa para abrir capital na Bolsa de Valores, capitalize a sua empresa e promova o seu crescimento acima da média do mercado.